Parque do Cantão se estrutura com foco no desenvolvimento da região

Publicado por Leonardo em

Responsável pela preservação de um espaço territorial importante não só para o Tocantins, o Parque Estadual do Cantão – com sede administrativa no município de Caseara, mas que abrange também a cidade de Pium –  se tornou, ao longo de 16 anos de sua criação, importante referência para pesquisas e, mais recentemente, vem ganhando espaço na rota turística do Estado.

Criada em 14 de julho de 1998, a unidade de conservação se estende por mais de 90 mil hectares e está inserida em uma área que engloba os biomas Cerrado e Floresta Amazônica, além de conter elementos do Pantanal.

O Parque Estadual do Cantão é importante do ponto de vista ambiental para a biodiversidade local, que é extremamente rica, em função das espécies de mamíferos, aves, répteis e peixes que se encontram preservadas no local.

Uma das estratégias adotadas pelo Estado voltadas a promover a conscientização e participação coletiva na preservação do parque é aproximar a unidade de conservação da comunidade tornando-a uma fonte de renda ou mesmo expondo a importância do parque para a melhoria da qualidade de vida dos moradores do entorno. “Quando as pessoas do entorno começam a entender o que é aquela unidade de conservação, o que elas usufruem daquela unidade de conservação, o que elas ganham com aquela área sendo preservada. Quando as pessoas começam a entender isso, elas começam a ver a unidade de conservação de outra forma e, de certa forma, passam a ser fiscais daquela unidade”, frisa Deny César Moreira, gerente do Parque do Cantão.

Dentro da sede administrativa em Caseara, também foi montada uma loja de artesanatos, onde os moradores da comunidade podem expor e vender suas produções, obtendo 100% da renda.Entre as ações adotadas com este intuito, destacam-se dois projetos desenvolvidos no Instituto Natureza Tocantins (Naturatins) e que foram transferidos para a região com foco para a comunidade. Um deles foi a implantação de um viveiro de produção de mudas numa comunidade do entorno, para que  as pessoas pudessem produzir mudas, obtendo uma forma de renda. O outro trabalho é voltado para a produção de mel. “Tanto um quanto o outro, foram feitos com recursos [públicos]. O Estado, através de um projeto que nasceu dentro do Naturatins, obteve recursos, foi feita a estrutura e dada a capacitação para as pessoas que operam essa estrutura”, explicou o gerente.

Berçário de reprodução

Além da diversidade de aves, flora e fauna silvestre, o parque protege uma grande área de reprodução de peixes, que abastece todo um estoque pesqueiro ao redor de sua área.  Lá, segundo a administração, encontra-se uma maior variedade de espécies ded peixes do que a encontrada em toda a região do Pantanal.

Isso porque uma das especificidades do Parque do Cantão é que ele protege um conjunto de lagos – que somam mais de 850. No período da seca, o nível de água dos rios baixa e esses lagos ficam inacessíveis. “Os peixes que estão dentro desses lagos se reproduzem em segurança. Quando a época da chuva chega, os lagos se interligam uns aos outros, que se interligam em alguns rios, como o Rio do Coco, o Rio Araguaia, então esses peixes que se reproduziram em segurança em determinadas épocas do ano, acabam indo para os rios e povoando o entorno. Na verdade o parque é como se fosse um grande berçário de reprodução de várias espécies de peixes”, frisou Moreira.

Pesquisas

Importante celeiro para pesquisas, o parque conta atualmente com diversos trabalhos sendo realizados em suas dependências, mas, segundo a administração, se comparado com outras unidades, ainda há muito o que se explorar. “Tem muita pesquisa básica que precisa e ainda não foi realizada. Então, o parque também está de braços abertos para o pesquisador. A gente procura oferecer o que puder de ajuda para facilitar. Sabemos que a pesquisa no Brasil não é fácil, faltam recursos, então o que a gente puder fazer para ajudar com  hospedagem, apoio logístico. É objetivo nosso poder ajudar ao máximo para que sejam fomentadas novas pesquisas aqui na unidade”, frisou o gerente.Pesquisas

Desafios

Deny Moreira avalia que, desde que foi criado, o Parque enfrenta desafios, muitos dos quais, continuam sendo os mesmos da época da criação. “Algumas pessoas continuam insistindo em fazer pesca dentro da unidade; com bem menos intensidade, as pessoas continuam insistindo em caçar dentro da unidade. Você tem o desafio de manter toda essa área preservada de uma certa forma”, destacou.

Mais recente, um problema que tem aumentado de forma preocupante é o desmatamento do entorno da unidade, em função das monoculturas nas fazendas e o risco de contaminação dos recursos hídricos de dentro da unidade com o agrotóxico. “Existem algumas estratégias da nossa parte já traçadas para a gente tentar se proteger o máximo possível, ou minimizar o impacto que por ventura possa acontecer, mas esse é um desafio que tem surgido aqui”, pontuou.